top of page

Adrian Smith fala sobre Smith Kotzen, os 50 anos do Iron Maiden e tocar a guitarra "Greeny" da lenda do Metallica.

Foto do escritor: adrianfredericksmithfas
adrianfredericksmithfas
15 de dez. de 2025
13 min de leitura

Atualizado: 15 de dez. de 2025


Adrian, é um prazer falar com você hoje; como você está?

É, muito bem, obrigado, muito bem. Eu estava no México, na verdade. Cheguei ontem à noite. Fui passar alguns dias de férias por lá.


Sua mãe é do Condado de Mayo; quando foi a última vez que você esteve por lá?

Isso mesmo, sim, Ballinrobe. Eu estive lá durante a Copa do Mundo, em meados dos anos 80. Esqueço exatamente qual ano foi, mas acho que a Argentina ganhou [1986]. Só me lembro da Copa passando na TV. Fiquei lá por cerca de um mês, na verdade.


Estamos aqui para falar do Smith/Kotzen, e vocês já estão em dois álbuns e meio; é o projeto mais duradouro que você teve fora do Maiden.

É, tem sido mesmo. Entre o primeiro e o segundo álbum houve um intervalo bem grande. Quando fizemos o primeiro, o Richie estava com o The Winery Dogs, tinha também a carreira solo dele, e eu tinha o Maiden, então era muito difícil encontrar tempo para nos reunirmos e trabalhar. Mas sempre quisemos fazer outro álbum, porque o primeiro teve sucesso e nós gostamos muito de fazê-lo. Isso é o principal. Então, sim, dois álbuns. Eu fiz dois álbuns com minha banda, o Psycho Motel, lá nos anos 90.


Eu tenho os dois álbuns do Psycho Motel.

Eu os ouvi outro dia. Fiquei até surpreso. Envelheceram bem. Mas enfim… eu gosto de fazer coisas fora do Maiden. Sempre gostei. E agora, claro, o Steve [Harris] está fazendo isso, e o Bruce [Dickinson] sempre fez, então é bom estar ocupado.


Falei com o Richie em 2021 e ele comparou o que vocês fazem, com dois vocalistas principais, ao álbum Stormbringer do Deep Purple, com David Coverdale e Glenn Hughes; você acha que essa é uma boa comparação?

Bom, não existem muitos projetos ou bandas com dois vocalistas principais, porque você pode imaginar que isso geraria muito atrito, mas não é o nosso caso. E funcionou muito bem no Purple. Eu adoro a ideia de ter dois cantores, trocando linhas, harmonizando. Sempre quis fazer isso. Além disso, tira um pouco do peso das costas. Já participei de projetos em que eu fazia tudo cantar na frente da banda e tocar ao mesmo tempo e é um trabalho muito pesado; você não tem tempo nem de pensar no que está fazendo. Com nós dois, podemos dividir a carga, e isso é realmente muito divertido.


Eu era um grande fã do ASaP e dos dois álbuns do Psycho Motel, mas você só cantou no primeiro, então fazia muito tempo que você não cantava em uma banda. Acho que você fez um pouco de backing vocal no Primal Rock Rebellion, mas o que te fez querer cantar novamente?

É uma pergunta muito boa. Acho que sempre esteve dentro de mim. Quero dizer, eu comecei como cantor. Isso foi com o Dave Murray, guitarrista do Iron Maiden, quando tínhamos 15 anos. Só havia alguns garotos no bairro com cabelo comprido e que curtiam Purple e Sabbath. Todo mundo era ligado em soul music — todas as garotas ouviam soul — e o Dave e eu levávamos discos pesados para as festas, que eram arrancados da vitrola depois de um minuto! Enfim, o ponto é que eu sempre quis voltar a cantar. Está no meu sangue. Foi muito bom retomar isso. Comecei fazendo alguns jams de blues — isso já faz alguns anos — aos domingos à tarde, quando não estava trabalhando, só por diversão. Um pouco de Hendrix, Cream, Free; esse tipo de coisa, cantando com um baixista e um baterista. Eu realmente gostei muito disso. Adorei fazer, então quis levar adiante novamente. Mas com o Richie, isso sobe vários níveis, porque ele faz esse tipo de coisa há muitos anos. Ele é um especialista nisso, então trabalhar com ele realmente tira o melhor de mim.


O Richie é um baita guitarrista, não é? Você às vezes olha para o que ele faz e pensa: “uau!”, sabe? Fica de queixo caído quando ele começa a dedilhar e deslizar pelo braço daquela Telecaster.

É, às vezes eu fico olhando pra ele e digo: “isso aí é vodu o que você está fazendo! Não é possível, o que você acabou de fazer”. Eu não sei como ele faz. Acho que ele começou a tocar guitarra quando tinha oito anos, e eu percebo que muitos desses caras que são verdadeiros virtuoses começam muito cedo. Ou seja, a motivação deles pra tocar música não eram garotas ou estar no palco numa banda, como era o meu caso aos 15 anos. Eu pensava: “o que eu posso fazer?”, sabe, “em que posso canalizar minha energia juvenil?”. Mas talvez isso faça parte. Acho que tem também um lado físico nisso tudo.


Fora essas bandas, você sempre atuou como um guitarrista solo. Quer dizer, obviamente o Dave Murray sempre foi seu principal parceiro, e depois você teve que se encaixar nessa formação do Maiden com três guitarras. Então, como foi se encaixar com o Richie?

Bom, é meio que algo não dito — ou talvez até tenhamos falado sobre isso — mas acho que quando o Richie e eu escrevemos uma música e a gravamos, nós dois queremos estar representados na faixa. Não é como se uma música destacasse o Richie e outra me destacasse. Talvez exista um pouquinho disso, mas, no geral, tudo é meio a meio, cinquenta por cento para cada um, então não há problema nenhum. Simplesmente encaixa. No que a gente faz, eu acabo tocando de uma forma mais crua, talvez não tão técnica, mas eu tenho minha técnica. E sabe de uma coisa? Se você toca com intenção, isso passa, seja tocando poucas notas ou muitas notas. Acho que o fato de termos estilos diferentes é mais uma coisa positiva, porque amplia a paleta que temos para criar músicas. Então, por exemplo, o Richie aparece com uma linha maluca, como em Taking My Chances, em que ele criou aquele trecho de jazz fusion no meio da música — algo que eu não teria feito — mas ficou ótimo. É disso que se trata: trabalhar com pessoas diferentes e acessar ideias diferentes.


Você acha que a abordagem de composição é diferente da que você leva para o Maiden? Imagino que você tenha ideias que pensa: “isso é mais para outra coisa, não para o Maiden”. Por exemplo, Writing on the Wall, do Maiden, tem uma pegada bem celta, e eu até me surpreendo que não tenha virado uma música do Smith/Kotzen.

Esse caso é interessante, porque ela é meio folk mesmo e, como você disse, um pouco celta, além de bluesy. Isso dá uma ideia de como esse tipo de música surgiu. O blues veio da América, ou do sul profundo, dos escravos, mas em algum momento eles devem ter tido contato com guitarras, que vinham mais da música country, então é tudo uma mistura, na verdade. Essas coisas são muito relacionadas, interligadas. Mas não, desde o primeiro momento eu achei que Writing on the Wall era uma música do Maiden. Eu tive a ideia do título e a melodia básica do refrão, e o Bruce simplesmente levou aquilo para outro nível.


Falando agora de Black Light / White Noise, o álbum começa com harmonias de guitarra (Muddy Water) e termina com harmonias de guitarra (Blindsided).

Nada no meio, né?


Pois é! Você normalmente não usa tantas harmonias nas músicas do Maiden; isso foi uma decisão consciente?

É engraçado, porque apesar de eu ser um fã enorme de Thin Lizzy, Wishbone Ash, esse tipo de coisa… obviamente fazemos muitas harmonias no Maiden. O Steve Harris é completamente obcecado por harmonias de guitarra, então ele cria harmonias sem parar. Mas como eu sempre foquei mais em escrever músicas mais curtas, acabo não indo tanto por esse caminho. Não é algo calculado. No Smith/Kotzen, com Muddy Water, a gente só precisava de uma introdução que te puxasse para dentro da música, então criamos aquilo. Nunca discutimos conscientemente usar harmonias. O Richie harmoniza as coisas naturalmente, sem que eu peça, e soa certo. Por exemplo, na música Scars, lá no final, tem um trechinho com harmonia, e ficou ótimo. A gente também fez algo no palco na última turnê, em uma das músicas, em que criamos uma parte com harmonia. Era algo bem simples, mas muito eficaz, só nós dois. Era uma música mais lenta — acho que era I Want to Stay — e ficou incrível. Dá pra ver o público reagindo, e aquilo eleva o nível de energia. Então talvez a gente devesse usar mais isso, mas se você faz o tempo todo, talvez perca o impacto. Usando com moderação, talvez funcione melhor. Não sei.


Você estava falando sobre estilos diferentes, e uma coisa que eu adoro no álbum é que, logo de cara, Muddy Water tem mudanças de tempo bem estranhas em alguns momentos, e em Black Light você toca algo bem funky lá em cima no braço da guitarra. É importante pra você misturar as coisas?

Bom, Muddy Water foi a primeira coisa que gravamos. O Richie tinha o demo e praticamente criou aquela coisa rítmica toda. A ideia foi dele, e eu adorei na hora. Quando ele me mostrou, eu disse: “essa tem que ser a faixa de abertura do álbum”. Depois trabalhamos os vocais, o vai-e-volta, e as pequenas harmonias aqui e ali. Mas é interessante, porque era uma música diferente. É uma das minhas favoritas do disco. Já Black Light começou como outra música. Acho que se chamava Dressed Up to the Nines ou algo assim, ou só The Nines. A gente terminou e se olhou pensando: “não sei… não”. Mas tinha algo ali de que a gente gostava, então mantivemos a bateria e reescrevemos tudo. Eu fiquei ouvindo a bateria e criei aqueles acordes e os vocais, bem inspirados no Phil Lynott, sem vergonha nenhuma disso. A partir daí, seguimos em frente e depois surgimos com o título. É sempre bom ter um título forte, e eu achei Black Light um título muito mais forte, com certeza melhor do que Dressed Up to the Nines.


É meio anos 80, né?

Exatamente, é isso aí!


Nos vídeos, eu vejo você usando sua Jackson signature. Essa não é a original, como a que aparece no vídeo Maiden England de 1989, certo?

Não, essa é a minha guitarra signature. Acho que existem algumas versões diferentes. Tem essa que você está segurando aí [o eonmusic está segurando uma Jackson Adrian Smith San Dimas SDX], que é essa aqui [ele se vira e aponta para a guitarra atrás dele]; braço em maple, escudo preto. E eu tenho outra, com braço em rosewood. Existem diferentes configurações, mas estamos lançando uma edição de 50 anos daquela primeira Jackson dos anos 80, com headstock branco. Essa vai ser a original. Tenho um protótipo aqui, e ela é realmente muito, muito boa. Tenho tocado bastante nela, então provavelmente vou usá-la na próxima turnê do Maiden, mas vamos ver.Mas eu não uso muitas guitarras. No álbum, usei apenas duas guitarras, e ambas são as signatures. Essa é uma delas [apontando para uma guitarra atrás dele], e nem sei onde está a outra agora. Essa aqui está afinada meio tom abaixo, e a outra está ainda mais grave — não é drop D, é dó sustenido. Então usei só algumas guitarras, e acho que usamos apenas um amplificador em todo o álbum. O Richie tinha um Marshall Plexi antigo, e simplesmente plugamos nele. Às vezes eu usava um Tube Screamer ou algo assim, só para dar um pouco mais de gás, ou um wah.


Sou um grande fã dos seus solos. Gosto muito de como eles são melódicos, e queria saber se sua abordagem no Smith/Kotzen é diferente da do Maiden. Sempre achei que seus solos são muito construídos, mas me parece que no Smith/Kotzen há um pouco mais de liberdade, um clima mais de jam; isso estaria correto?

Sim, acho que essa é uma observação bem precisa. Quando comecei no Maiden, eu realmente trabalhava muito meus solos, e é daí que vem esse lado mais melódico. Sempre tive esse senso de melodia. Também depende muito do que você está tocando por cima. Provavelmente, o que eu toco em si não é tão diferente do que toco no Maiden, mas o que está por trás é muito diferente. No Maiden, geralmente as músicas são mais rápidas, mais pra cima. Mas o som é o mesmo; está nas mãos, no vibrato, e o timbre é parecido. Só que quando você coloca isso sobre um pano de fundo diferente, o efeito muda, e talvez o lado mais blues apareça um pouco mais.


Falando em guitarras, vi uma foto incrível sua com o Kirk Hammett, e você está segurando a Greeny, a Gibson Les Paul que foi do Peter Green e depois do Gary Moore. Sei que você é fã do Gary Moore, então como foi para você segurar esse instrumento, e como foi tocá-lo?

Sem dúvida nenhuma, essa é uma guitarra especial. O “mojo” dela está fora de escala. Peter Green e Gary Moore, né? E aquele clássico som da posição do meio, com o captador do braço fora de fase; você muda a chave e pronto, ali está o som! O Kirk é um cara sensacional, muito gente boa. Eu trombei com ele num hotel no Canadá. A gente estava esperando o elevador, fazendo check-in, e o Metallica estava lá. A primeira coisa que eu disse pra ele foi: “ah, você comprou a Greeny”. Ele respondeu: “sim, está comigo. Quer tocar?”. Eu falei: “claro!”. Então fui até o quarto dele. O Ross Halfin [fotógrafo] também estava lá, porque é um amigo em comum. Eu conheço o Kirk um pouco, e a gente sentou lá; ele me deu a guitarra e um pequeno amplificador de estudo e, claro, toquei Oh Well (do Fleetwood Mac), né? Claro!Aí ele disse: “olha, preciso sair”. Ele e o Ross iam fazer umas fotos, então ele falou: “leva a guitarra”. Eu levei para o meu quarto de hotel, com um pequeno amp, e fiquei tocando a tarde inteira. Ela toca maravilhosamente bem; a afinação, o feel, o som. É simplesmente uma guitarra maravilhosa. Fico feliz que alguém esteja usando ela, e que não esteja pendurada numa parede, dentro de um cofre climatizado. Ela está aí fora, sendo tocada, como deve ser.


Nessa mesma linha, imagino que você tenha tocado na Fender Strat do Paul Kossoff do Dave Murray, quando ele usava ela nos anos 80?

Acho que eu nunca cheguei a tocar nela, não. Talvez eu tenha pegado na mão, mas não cheguei a tocá-la de verdade. Acho que naquela época eu nem teria apreciado isso. Hoje eu valorizo muito mais; conheço melhor as guitarras, sei o que quero, sei o que é bom. Naquela época, eu não tinha muita noção. Mas claro, ela serviu muito bem ao Dave, e tem aquele mojo incrível do Paul Kossoff — eu também era fã dele. Mas o Dave modificou bastante a guitarra; colocou captadores diferentes. Espero que ele ainda tenha o escudo original com os captadores originais, isso seria ótimo, porque numa Strat você não precisa sair roteando tudo. Mas não, eu realmente não toquei naquela guitarra.


Voltando a assuntos mais atuais, vocês vão sair em turnê novamente com o Smith/Kotzen no ano que vem; vocês pensam em mudar o setlist agora que têm muito mais material para escolher?

Sim, com certeza vamos tocar algumas músicas novas. Estou realmente animado com isso. Acho que algumas delas vão funcionar muito bem ao vivo. Quando gravamos, não exageramos nos overdubs e a produção é bem direta, então acho que essas músicas vão soar ótimas no palco. E também vamos tocar algumas do primeiro álbum, que foram a base do set da última turnê.


Obviamente seu foco está no material atual, mas olhando para o seu passado, você tem Urchin com She’s a Roller, o ASaP com Silver and Gold, o Psycho Motel com The Last Chain, e muitas outras músicas ótimas; você ficaria tentado a resgatar algumas delas?

Sim, eu deveria pensar nisso. Pode ser interessante, sim. São tantas músicas que você faz ao longo da carreira, e todas têm uma certa energia própria. E acho que boas músicas são, esperamos, atemporais.


Por exemplo, The Last Chain nunca foi tocada ao vivo, nunca.

Não, e eu me arrependo de não ter feito isso com a segunda formação do Psycho Motel, porque tinha músicas incríveis naquele álbum.


Na última turnê do Smith/Kotzen vocês tocaram Wasted Years, do Maiden; você já pensou em tocar, por exemplo, Back in the Village ou Sea of Madness nesta próxima turnê?

Sim, eu gosto dessa música. Nós tocamos Sea of Madness algumas vezes nos anos 80. Funcionava muito bem ao vivo, então, quem sabe. Back in the Village tem uma história engraçada: eu comprei uma Flying V branca nos bastidores de um show nos anos 80. Alguém levou a guitarra para os caras do Judas Priest, eles não quiseram, então eu comprei porque custava 750 dólares. Sentei e a primeira coisa que toquei nela foi o riff de Back in the Village. Nunca mais toquei muito aquela guitarra depois disso, mas a música saiu dali. Toda guitarra tem uma música dentro dela. Eu tinha até esquecido de todas essas músicas que você está mencionando! [risos]


Houve um momento especial na última turnê em Londres, quando o Nicko McBrain subiu ao palco para tocar Solar Fire com vocês; vocês têm uma relação de longa data fora do Maiden, que remonta ao The Entire Population of Hackney.

Bom, o Nicko é o tipo de cara que simplesmente gosta de tocar música. Lá atrás, com o The Entire Population of Hackney, foi ele quem sugeriu que a gente se reunisse. Eu tinha alguns amigos, e acho que tocamos no Marquee Club, em Londres. É ótimo. O Nick tem uma energia incrível. Ele tocou no primeiro álbum do Smith/Kotzen, e o chamamos para tocar Wasted Years e Solar Fire com a gente em Islington, e foi realmente um momento especial. Ele é um cara sensacional, e as pessoas o adoram, não é? Todo mundo ama o Nicko.


Queria falar sobre o novo livro do Iron Maiden, Infinite Dreams; antes de tudo, com esse título, por que Infinite Dreams não está no setlist da turnê Run For Your Lives?

Boa pergunta! Acho que a música chegou a entrar na lista provisória. Estava planejada. A gente ia tocar, mas por algum motivo acabou não acontecendo. Não sei por quê. É curioso, né? Um grande livro de 50º aniversário, com esse título, e a gente não toca a música! [risos] Mas o Maiden tem tantas músicas que é difícil tocar tudo.


Como foi para você olhar aquele livro e pensar: “minha vida está aí dentro”?

Incrível. Eu adoro algumas coisas, como o diário do Steve Harris, onde ele anota os caras se reunindo num Natal para falar em formar uma banda, o primeiro ensaio, os primeiros shows, coisas como “ganhamos vinte libras”. Isso é brilhante. Adoro isso.


Você está ansioso pelo show em Knebworth, e tem gostado da turnê de 50 anos? O que significa para você tocar em um show gigante como Knebworth?

É especial. Já tocamos lá antes, e Knebworth sempre foi — odeio essa palavra de tão usada — icônico. Mas realmente é, por causa da ligação com o Led Zeppelin e tudo mais. Tivemos ocasiões incríveis. Hoje chamamos de “shows”. O do London Stadium [2025], com 73 mil pessoas, foi uma noite fantástica. O que mais me agradou foi que a banda estava em ótima forma. Às vezes, tocar em Londres gera tanta pressão, tanta confusão com ingressos, que você só quer acabar logo, mas aquele show foi incrível, com um público excelente. Todo mundo disse que o som estava muito bom, o que é fundamental. Nem sempre isso acontece em arenas grandes. E claro, Knebworth é enorme, então estamos muito empolgados.


Te surpreende o fato de o Maiden ser maior hoje do que nunca foi antes?

Sim, as pessoas dizem isso. É maravilhoso, não é? Mas acho que a filosofia da banda sempre foi levar a música até as pessoas, porque nunca foi um tipo de música que teria grande espaço no rádio. Quando você constrói uma carreira assim, ela dura mais do que apenas alguns hits grandes. Nós realmente fomos a todos esses lugares; fazíamos turnês de quinze datas pela França, tocávamos em todas as pequenas cidades da Inglaterra, e pelo mundo todo. Nem sempre foram grandes shows com todo mundo vindo até nós; sempre fomos nós que levamos a música até lá. As pessoas se lembram disso, e acho que isso ajudou muito a banda mais tarde. É uma forma honesta de construir uma carreira.


Antes de encerrar, preciso perguntar: o que vem a seguir para você? Você está pensando em um terceiro álbum do Smith/Kotzen? O que o futuro reserva?

Bom, este aqui é meu estúdio em casa, e estou sempre sentado mexendo nas coisas, criando riffs. Eu gosto de ser criativo. Parece que fico até mais criativo à medida que envelheço, então preciso de uma válvula de escape para isso. Então, por que não um terceiro álbum? Ainda não estou pensando diretamente nisso, mas vamos fazer essa turnê primeiro e depois ver onde estamos. Mas sim, eu diria que é bem possível.


 
 
 

Comentários


bottom of page